quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A HEGEMONIA DO MODO DE PRODUÇAO CAPITALISTA

Posted by Julio Neto On quarta-feira, dezembro 30, 2009

Autor: Professor Julio Neto Alves Araujo
Texto apresentado ao curso de História para a disciplina Sociologia em 2008.
(Texto registrado - Evite plágio, em caso de citação, informe o autor)


A compreensão do processo histórico que levou à consolidação do regime socioeconômico baseado no lucro e na propriedade privada (capitalismo), nos conduz a uma análise mais coerente da sociedade contemporânea. Partindo dessa idéias, podemos perceber a importância da Sociologia enquanto conjunto sistematizado de conhecimentos, pois seus estudos nos fornecem ferramentas imprescindíveis para entender e agir sobre o atual espaço globalizado. Assim, faremos aqui uma leitura histórica do sistema capitalista. “Ganhar dinheiro dentro da ordem econômica moderna, é, enquanto for feito legalmente, o resultado e a expressão de virtude e de proficiência em uma vocação”. (WEBER, 2003. p.28)
Analisando este trecho e toda a abordagem feita por Weber em “a Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, podemos concluir que a idéia de acumular riqueza por meio do trabalho faz parte do conjunto de preceitos defendidos pelo protestantismo e, que essa foi uma das condições fundamentais para afirmação do capitalismo enquanto sistema político econômico. Todavia, somente o trabalho (executado pelos proletários) é suficiente para promover o tal acúmulo de capital?
Segundo Boligian, a geração de riqueza do capitalismo só é possível porque a sociedade está dividida em duas classes. Esse fato denota domínio e exploração de uma classe sobre a outra e, essa “hegemonia”, dizia Gramsci, “é o resultado de uma conjuntura de força e consentimento da população”. Contudo, essa relação entre dominados e dominantes, pode ser quebrada por uma revolução (como acreditavam Marx e Engels) e, foi tal fato que levou a ascendente burguesia francesa (e o seu modelo econômico) ao “poder”.
Entretanto, o fato que mais contribuiu para o fomento do capitalismo foi a Revolução Industrial que proporcionou mudanças significativas no processo produtivo da época e levou a produção de mercadorias a níveis nunca vistos até então. Com isso, os capitalistas passaram a transformar seus lucros, que eram obtidos por meio da exploração dos trabalhadores, em capital, que era investido em novas tecnologias, promovendo assim a chamada “destruição criadora” que nada mais é do que a dissolução das antigas tecnologias e a sua substituição por técnicas mais avançadas; assim, os empresários que não modernizarem suas fábricas, serão superados. Desde então, os pequenos empresários, minifundiários, comerciantes e trabalhadores em geral, vêm sendo marginalizados pelo sistema capitalista.
Como podemos perceber, as grandes transformações empreendidas pelo capitalismo, estão intrinsecamente ligadas à sua forma de produção.
“O que eles (os indivíduos) são coincide, pois, com sua produção, isto é, tanto com o que eles produzem quanto com a maneira como produzem. O que os indivíduos são depende, portanto, das condições matérias da sua produção”.(MARX, 1998. p. 11)

Marx evidenciou que ao longo de sua existência, o homem desenvolveu diferentes meios de produção, mas cada vez que isso acontecia, novas necessidades eram criadas. Isso há uns três séculos, ocorria de modo mais lento, porém, a Revolução Tecnológica vem acelerando esse processo, pois na mesma velocidade em que as mercadorias chegam aos consumidores, são criadas novas necessidades.
A oferta de novos produtos suscita novas necessidades, cuja satisfação requer elevação da renda familiar...
...Dessa maneira, o capital vai criando para si mesmo novas oportunidades de inversão, o que lhe garante expansão perene. (MEKSENAS, 1991. p. 48 a 52).

São essas novas necessidades, que permitem ao capitalismo continuar se desenvolvendo. Assim, podemos afirmar que vivemos em uma sociedade de consumo, pois a compra e a venda de produtos são responsáveis pelos lucros e, conseqüentemente, pela aquisição de capital.
Para melhor ilustrar as mudanças ocorridas na indústria, podemos citar o fordismo, que promoveu a padronização do processo produtivo e, assim, por meio da produção em série, aumentou, substancialmente a fabricação de automóveis no início do século passado. Nesse contexto, podemos perceber que o maior objetivo do capitalista é obter lucro, e isso é possível graças ao aumento da produtividade e a redução dos custos de produção. Contudo, essa realidade esconde alguns aspectos importantes, dentre os quais podemos destacar o desgaste ambiental e a separação entre o trabalhador e os meios de produção. Mas tudo isso pode ter um preço.
Quanto à degradação ambiental, ela é fruto de uma idéia equivocada de desenvolvimento que opõe o surgimento de novas tecnologias à preservação ambiental. Desse modo, a natureza passou a ser vista apenas como fonte de matérias-primas, seja pela retirada de seus recursos ou sua exploração pela indústria do turismo.
Com relação ao trabalhador, a situação não é muito diferente.
“Portanto, o processo que engendra o capitalismo só pode ser um: o processo de separação entre o trabalhador e a propriedade das condições de seu trabalho...” (MARK, Apud CHAUÍ, 2001.p.17).
Assim, segundo Marx (Apud CHAUÍ), o capitalismo não pode se desenvolver sem a separação de classes e a exploração de uma delas. Ainda hoje havemos de concordar com Marx, quando ele afirma que a sociedade capitalista precisa de um exército de reservas, que era (e ainda é) o grande contingente de desempregados que funcionam como um regulador de salários. Isso tudo vem se mantendo porque foi expropriado do trabalhador, os seus meios de existência, que são hoje, propriedades privadas dos capitalistas; sendo assim, resta aos que realmente produzem, a condição de assalariados.
Toda a nossa realidade não é senão, o reflexo de uma visão capitalista de mundo, baseada no acúmulo de riqueza e na divisão de classes.



REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Regina: MAGNOLI, Demétrio. Projeto de ensino de geografia: natureza, tecnologia, sociedades, geografia geral. São Paulo: Moderna, 2000.

BATTINI, Okçana. Sociologia. In Universidade Norte do Paraná. Curso de Graduação em História – Licenciatura: Módulo 2. Londrina: 2007.

BOLIGIAN, Levan et al. A dinâmica do espaço global: o mundo desenvolvido. 8ª série. São Paulo: Atual, 2001.(Geografia: Espaço e Vivência)

CHAUÍ, Marilena de Souza. O que é ideologia? 2 ed. São Paulo: Brasiliense, 2001.
ENGELS, Friedrich; MARX, Karl. A ideologia alemã. Trad. Luiz Cláudio de Castro e Costa. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

MEKSENAS, Paulo. Sociologia. São Paulo: Cortez, 1991. Disponível em: www2. Unopar.br/bibdigi/biblioteca – digital.html. 19 – out –07,20:48.

WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. Trad. de M. Irene de Q.F. Szmrecsányi, Tomás j.M.K. Szmrecsány. 2. ed. rev. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003.