quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Depois de Copenhague e de avanços mínimos, Cancun tentará revitalizar a luta climática

Posted by Julio Neto On quarta-feira, dezembro 01, 2010 No comments


Embora no discurso do presidente do México, Felipe Calderón, a 16ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 16) tenha começado forte. Nas palavras dele, "as mudanças climáticas começaram a nos cobrar pelos erros fatais que viemos cometendo contra o Meio Ambiente", disse. "Lembremos que aqui somos responsáveis por bilhões de humanos no futuro".

Mas retóricas à parte, espera-se um encontro para cumprir objetivos modestos. Estão em Cancun 20 mil representantes de mais de 190 países, que nas próximas duas semanas vão debater o futuro do planeta. Mas até aqui, entre 20 a 30 chefes de Estado sinalizaram interesse em participar da parte final da conferência, chamada de "alto nível" (a primeira parte, nesta semana, é mais técnica e envolve diplomatas).

O presidente Lula e a candidata eleita Dilma Houseff, por exemplo, não deverão ir até o México. Por conta desse histórico, muitos dizem que a conferência está esvaziada. Em Copenhague participaram 120 chefes de Estado. Mas a ideia é tentar avançar nas negociações sobre a redução de emissão de gases causadores do efeito estufa, bem como nas formas de reduzir ou enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

Os negociadores dos 194 países pretendem fazer o rascunho do futuro acordo global (que poderá ser uma extensão e ampliação do Protocolo de Quioto), que limite as emissões e deverá ser aprovado na África do Sul, em 2011. Até porque a NASA e o Met Office (serviço meteorológico britânico) já anunciaram: 2010 deverá ser o ano mais quente já registrado no planeta. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas afirma que o aumento das temperaturas resultará em eventos climáticos cada vez mais intensos e frequentes.

Outro objetivo da COP 16 será debater o futuro do Protocolo de Quioto, cujo período de compromissos termina em 2012. Mesmo as nações que defendem a extensão dele são unânimes ao afirmar: isso só fará sentido caso, desta vez, os Estados Unidos finalmente assinem o protocolo. Mais: que ele traga ainda novas obrigações para as economias em desenvolvimento. “Continuar Quioto só seria viável se os Estados Unidos ratificasse o Protocolo. Nações como China e Índia também deveriam assumir mais responsabilidades, já que hoje são grandes emissores”, explicou Artur Runge-Metzger, negociador da União Européia.

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