segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Escola e Cidadania

Posted by Julio Neto On segunda-feira, janeiro 16, 2012 No comments

O Texto abaixo trata-se de um pequeno excerto de texto produzido para o Curso de Pós-Graduação em Metodologia do Ensino de Educação Ambiental.
Autor: Julio Neto Alves Araujo

Escola e Cidadania
A cidadania não é um dom, algo que, inconscientemente, se adquire ao longo da vida. Pelo contrário, a cidadania se manifesta gradativamente, num processo lento e cheio de controvérsias, dialética e dialogicamente. Por isso, o papel do professor, embora pareça reprodução, não pode se limitar à transposição didática, precisa promover no aluno o desejo de saber e a capacidade de resolver problemas cotidianos, de “aprender a aprender”. Em outras palavras, a escola deve proporcionar aos indivíduos a possibilidade de viver em sociedade de maneira autônoma, consciente, de serem cidadãos.
Diante disso, quais mecanismos usados pela escola podem garantir o êxito dessa missão? Quais alienam, excluem, segregam? Como superar o mundo da pseudoconcreticidade (KOSIK, 2002), da “falsa” realidade?
Grande parte dos indivíduos que compõem a sociedade acredita gozar plenamente da cidadania. Esse pensamento deriva da interpretação equivocada de tal conceito, limitado à idéia de passividade, cumprimento de leis e obediência a uma autoridade maior, o Estado. De modo geral, os supostos cidadãos não se sentem parte do Estado, não enxergam que este é um organismo que não tem vida própria, que é um corpo da qual eles constituem-se em parte vital. Além disso, procedendo assim, se submetem à vontade de uma minoria.
Sendo o Estado, portanto, a forma pela qual os indivíduos de uma classe dominante fazem valer seus interesses comuns e na qual se resume toda a sociedade civil de uma época, conclui-se que todas as instituições comuns passam pela mediação do Estado e recebem uma forma política. Daí a ilusão de que a lei repousa na vontade, e, mais ainda, em uma vontade livre, destacada da sua base concreta. Da mesma maneira, o direito por sua vez reduz-se à lei. (MARX, 2002, p. 74, grifo do autor).
Nessa perspectiva, o trabalho do professor passa antes por uma auto-análise, pela reconstrução do ideal de cidadania que ele carrega em si mesmo. Assim sendo, a sua função e, conseguintemente, a função da escola será fornecer as ferramentas para que o discente compreenda os mecanismos que orientam e direcionam a sociedade. Num segundo momento, a própria escola deve funcionar como um organismo coeso, que permita o contato com a educação em seus diferentes vieses: a educação ambiental, visto que é tarefa primordial do individuo a preservação da vida no presente e no futuro; a percepção de que toda a humanidade pertence a uma mesma espécie, independentemente da cor, credo ou classe social, propiciando dessa forma o respeito às diferenças.
Essa escola cidadã não pode permanecer isolada, separada da comunidade pelos seus altos muros, precisa se aproximar e garantir que o seu proceder não se restrinja aos seus membros, mas que seus projetos, suas atividades esportivas, seu cotidiano seja parte do bairro, da cidade onde ela está inserida.

REFERÊNCIAS
BARBOSA, Rui. Oração aos Moços. 1 ed. São Paulo: Rideel, 2005. (Biblioteca Clássica).
ENGELS, Friedrich; MARX, Karl. A ideologia alemã. Trad. Luiz Cláudio de Castro e Costa. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
KOSIK, Karel. Dialética do Concreto. 7. Ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens. Vol. II. São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Os pensadores).
SCÁRDUA, Martha Paiva. Fundamentos da Educação Ambiental para Docência. Brasília-DF: POSEAD, 2010.
Este artigo pertence ao HistoriaNews.Org, com autoria de Julio Neto Alves Araujo, professor, Historiador, especialista em Métodos de Ensino para Educação Ambiental. A reprodução, parcial ou total, é proibida sem a autorização do autor. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal. Lei n° 9.610-98 sobre os Direitos Autorais. Ao usar trechos de textos na internet, cite o autor.

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