sábado, 2 de dezembro de 2017

Professores no Brasil: respeito é tapa e valorização é pontapé!

Posted by Julio Neto On sábado, dezembro 02, 2017 No comments

Num país onde as instituições, o governo e a sociedade não valorizam o professor, o futuro é incerto e o caos vive à porta!


Essa semana li uma matéria no site Globo.Com que dizia o seguinte:
"Um aluno deu um soco e um chute em um professor na Escola Estadual Antônio de Alcântara Machado, na Zona Sul de São Paulo, nesta quarta-feira (29). O aluno tem 20 anos e cursa o 3º ano do Ensino Médio no Ensino de Jovens e Adultos (EJA)."


Eu segui lendo e pensando sobre o assunto, já que também sou professor e estou sujeito às mesmas condições.
O que leva um aluno a ameaçar um professor, até mesmo agredir um profissional que está ali tentando conduzi-lo a uma vida melhor? Porque nesse país é tão fácil agredir dentro da escola e não ser punido? Será a segurança dos muros da escola ou pela deturpação das Leis de Proteção à Criança e ao Adolescente?

Vejo diariamente os conflitos construídos na rua repercutindo dentro da escola; jovens que sofrem nas ruas ou em casa tentando elevar sua autoestima batendo de frente com a instituição mais frágil da sociedade brasileira: a escola.

Não é difícil entender tal situação, não é necessário fazer uma análise à luz da ciência para perceber o que leva o jovem a tal comportamento. Num país onde a educação é tratada com total descaso, onde o professor é visto como alguém que, não tendo "habilidade" para atuar em outras áreas, "obriga-se" ao exercício do magistério, por pura falta de opção, segundo percepção e fala de alguns dos representantes governamentais.

Assim, usada no Brasil como cabide de emprego por muitos anos, como fonte de recursos para desvio de verbas, a educação, tão valorizada em outros países (especialmente nos mais desenvolvidos), e a docência, aqui são vistas como ônus, como suposta razão para a crise financeira de muitos municípios. Isso não é hipótese, é fato. As propagandas do governo federal na defesa dos interesses empresariais escondidos nas Reformas, especialmente a da Previdência, deixam claro que se quer "acabar com os privilégios", que as mudanças oriundas da Reforma afetarão apenas aos "privilegiados", que hoje se aposentam 5 anos antes dos demais trabalhadores. Esse é o tratamento dispensado aos professores, essa é a visão que se tem da escola e da educação pública no Brasil, afinal, qual filho de deputado, senador, prefeito ou do próprio Temer estuda em escola pública?

Em suma, num país que gasta mais com um deputado que com toda a rede de ensino da maioria dos municípios, não pode pensar em desenvolvimento.

Ah! Em relação ao episódio ocorrido numa escola em São Paulo, não fique surpreso caro leitor, isso é mais comum do que você imagina, só não aparece na mídia, afinal, não dá audiência!

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